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April 1, 2022

Semana de Arte Moderna no Brasil – 100 anos

“Toda arte é social porque toda obra de arte é um fenômeno de relação entre seres humanos” – Mário de Andrade

Há 100 anos, artistas e intelectuais se encontraram para apresentar o modernismo ao Brasil. Reunidos no Teatro Municipal de São Paulo, os mais importantes e inovadores pintores, arquitetos, escritores, músicos se organizavam para mudar a arte no país. Essas mudanças não marcaram apenas aquela época. As influências da Semana de Arte Moderna de 1922 podem ser vistas, sentidas e ouvidas até hoje.

Suite No. 2: III. Cascavel – Heitor Villa-Lobos

O modernismo foi um movimento artístico do início do século XX, inspirado nas vanguardas europeias, que buscava romper com tradicionalismo e o academicismo por meio da liberdade estética, da experimentação constante e, principalmente, da independência cultural do país.

A semana de arte moderna, inicialmente realizada para festejar o centenário da independência, é considerada um marco simbólico modernista. Mas, ressalte-se, antes e depois de 22, várias manifestações modernas ocorreram, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais.

Os principais modernistas da primeira fase do movimento foram Anita Malfatti, Mário de Andrade, Lasar Segall, Di Cavalcante, Oswald de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Cândido Portinari, Menotti Del Picchia, Victor Brecheret e Tarsila do Amaral (que não participou da Semana presencialmente, regressando da França meses depois).

A Semana teve, na verdade, três dias, 13, 15 e 17 de fevereiro, e contou com a exposição modernista, apresentações de música, poesia:

“Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…”

Urra o sapo-boi:
– “Meu pai foi rei!”- “Foi!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.”

Poema Os Sapos (fragmento) – Manuel Bandeira

Em outras palavras, a Semana de Arte Moderna foi um evento coletivo organizado em São Paulo por um grupo de artistas com o anseio de fazer e trazer o novo na literatura, na música, nas artes visuais, resultando em manifestação que influenciou gerações de artistas não apenas nessas áreas, mas na produção cultural como um todo. Nesse sentido, a semana de arte moderna significou um sopro de renovação nas reflexões e atitudes estéticas daquele período.

Um dos mais relevantes investigadores do folclore e da memória cultural brasileira, Mário de Andrade entendeu e nos ensinou naquele momento, que precisamos investigar o Brasil profundo, porque é desse Brasil que fazemos parte, do qual viemos e de onde é possível fazer o resgate da nossa identidade nacional.

O principal legado da Semana e dos modernistas para nós é, portanto, a vontade de pensar o Brasil, o mundo, a sociedade, o tempo em que vivemos, com olhos atuais, revendo o passado e projetando o futuro; legado que nos convida a conhecer e preservar nosso patrimônio cultural e nos permite continuar sonhando com a utopia de uma sociedade mais justa e plural. Viva a arte moderna!