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A diversidade das lutas das mulheres.

 Por: Natali Niño P.

O movimento feminista que vemos hoje em dia é o fruto de muitas lutas de mulheres dos séculos XIX e XX que enfrentaram situações difíceis para que as seguintes gerações tivessem um futuro muito mais justo. Estas lutas estão reconhecidas pela teoria feminista como as quatro ondas do feminismo, que enfrentaram diferentes situações para alcançar seus objetivos. Por exemplo, as mulheres que lutaram na América Latina por alcançar o direito ao voto ou as lutas pela supressão de artigos do código civil que no permitiam às mulheres administrar os seus bens, ter a guarda de seus filhos, entre outros artigos que as sujeitavam aos seus maridos, pais, irmãos. Também é importante mencionar as ações das mulheres afro-americanas que resistiram e lutaram para se libertarem da escravidão ou as lutas das mulheres indígenas que enfrentam as culturas e os Estados pelo reconhecimento de suas identidades e terras.

Porém, os interesses que parecem ser mais reconhecidos pelos Estados são das mulheres brancas principalmente. Por isso, é importante ampliarmos nossa visão sobre as lutas de nossas mulheres na América, pois isso nos permite pensar na diversidade de causas e de problemas que enfrentam o tempo todo, desde uma perspectiva de pluralidade. Um primeiro passo é entender que a noção de diversidade é afetada por uma Ideia de universalidade e de uma única forma de ser mulheres.

Tudo isso nos faz refletir sobre a agenda política e pensar nas formas de afetação dos interesses das mulheres pobres, migrantes, indígenas e afrodescendentes, já que essa agenda está determinada, principalmente, pelos interesses das mulheres especialmente nas cidades. Desta maneira, enquanto o avanço continuar favorecendo certas mulheres, esquecendo-se de muitas delas que vivem diariamente em territórios hostis, difíceis e de violência, os problemas sistemáticos enfrentados pelas mulheres não vão terminar. Essas afirmações são fáceis de corroborar com estatísticas. De fato, são as mulheres pobres, migrantes, indígenas e afro-americanas as quem têm menor renda, que têm trabalhos com remuneração baixa e que são, portanto, o alvo dos problemas derivados da discriminação sistemática.

Portanto, é necessário pensar no movimento das mulheres considerando os interesses de todas as formas de ser mulher, não apenas a dona de casa ou a trabalhadora, mas também as mulheres pobres, indígenas, as mulheres que enfrentam o racismo o tempo todo e as mulheres migrantes que podem enfrentar a violência reprodutiva. Enfim, a agenda das mulheres, em termos políticos, deve ser ampla e deve atender e escutar todas e todos nossos interesses.