Conselhos de Travessia #1 – Caetanear tudo que há de bom!
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Longe
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Além do Idioma

Estudante – Bryan González – 4to Nível

Além de aprender o idioma, o que mais aprecio do Ibraco é a oportunidade de conhecer também a cultura, o jeito de ver a vida, a história, o jeito de pensar e viver do povo brasileiro. Espero seguir aprendendo muito da maravilhosa e interminável cultura brasileira. Acho que nossas culturas têm muitas coisas por compartilhar…

“A aldeia Tupinambá era composta por 4 ou 8 malocas medindo às vezes mais de 100 metros. Em apenas uma maloca podiam morar até 600 pessoas. Aquela casa parecia um labirinto, uns cantam outros choram, outros fazem farinhas e bebidas… Porém, há tanta conformidade entre eles que em todo o ano não há uma só briga, e como não têm nada fechado, não há furtos… se fosse outra nação não poderiam viver do jeito que eles vivem” –

Relato do escritor Jesuíta Frei Fernão Cardim (1540 – 1625)

A maloca é bem conhecida na região amazônica da Colômbia e do Brasil. Nós compartilhamos diferentes culturas ancestrais que até hoje vivem na região amazônica. As malocas mais conhecidas foram construídas de forma circular e retangular. A retangular tinha 28 mts de comprimento por 18 de largura, e o telhado tinha uma inclinação acentuado para evitar a acumulação das águas da chuva.

Os espaços no telhado são projetados de tal forma que eles permitem a entrada direta do sol, o caminho do sol através das paredes e o chão marca os dias, estações e anos que são usados para guiar a comunidade e realizar o plantio e a colheita.

A maloca é dividida em compartimentos laterais abertos. O chefe do grupo vive no compartimento mais próximo da parede de trás, seus irmãos mais novos, quando se casam, vão ocupando os espaços desde o fundo para a frente e os visitantes devem ficar na frente da casa perto da porta.

Você pode pensar que é uma casa simples, mas tem um significado maior: a maloca é uma representação espiritual da vida. Ali o conhecimento ancestral é transmitido, pensa-se, histórias são compartilhadas, as decisões são tomadas, o indivíduo cresce e a vida comunitária é organizada.

Gostaria de deixar este pensamento de um chefe indígena para você: “Nós, nativos, sabemos sobre o silêncio. Não temos medo dele. Na verdade, para nós é mais poderoso do que as palavras. Nossos mais velhos foram educados nos caminhos do silêncio e transmitiram esse conhecimento para nós. Observe, ouça e então agir, disseram-nos, é assim que se vive acordado.

Observe os animais para ver como eles cuidam de seus filhotes. Observe os anciãos para ver como eles se comportam. Sempre observe primeiro, com o coração e a mente quietos, e então você aprenderá. Quando você tiver observado o suficiente, poderá agir sem medo.

Com você é o oposto. Você aprende falando. Eles recompensam as crianças que falam mais na escola. Em suas festas, todo mundo tenta conversar. No trabalho, eles estão sempre tendo reuniões em que todo mundo interrompe todo mundo, e todo mundo fala cinco, dez ou cem vezes e chama isso de “resolver um problema”

As pessoas deveriam pensar em suas palavras como sementes. Eles devem plantá-las e, então, permitir que cresçam silenciosamente. Nossos mais velhos nos ensinaram que a terra está sempre falando conosco, mas que devemos ficar em silêncio para ouvi-la. “

foto: Jogos Indígenas Tupinambá – Prefeitura de Ilhéus

Nota: O texto apresenta pequenas correções em função da adequação da língua.